Tratado como um momento histórico no Santos, o debate ao vivo entre presidenciáveis do time alvinegro transmitido nesta terça-feira, pela TV Santa Cecília, teve alguns bons momentos, mas foi de um modo geral morno. Os cinco candidatos - Nabil Khaznadar, José Carlos Peres, Orlando Rollo, Fernando Silva e Modesto Roma Júnior - tiveram tempo para debaterem suas propostas e atacarem os concorrentes se assim quisessem.
No primeiro bloco, por exemplo, o candidato Orlando Rollo se mostrou afiado. Logo de cara, chamou Modesto Roma - tratado pela maioria dos oposicionistas como principal adversário a ser batido no pleito - e atacou, o chamando de "afilhado" de Marcelo Teixeira, que ainda seria "seu amo". Rollo também mencionou suposta falência de uma empresa particular do rival. "Essa falência foi de uma empresa que tinha exclusividade de prestação de serviços para a Telesp, e quando ela foi vendida os espanhóis cancelaram o contrato, não houve mais receita, ficando inadimplente", respondeu Modesto, que ouviu de Rollo na sequência: "não me convenceu".
O representante da chapa Pense Novo procurou ironizar Modesto Roma ao longo de todo o debate. Voltou a dizer que o aliado de Teixeira "passou o tempo nadando com golfinhos" sem acompanhar o Santos nos últimos anos e ainda disse que o plano de gestão do adversário possui "projetos esquisitos, como concursos de música e parques temáticos".
Por outro lado, o candidato da Pense Novo foi criticado pelos demais ao término do debate pela agressividade demonstrada e por suposta parceria com Fernando Silva. Após "gafe" de Nabil Khaznadar e Modesto, que erraram o número do orçamento aprovado em reunião do Conselho, Silva chamou Orlando e ambos aproveitaram para mandar os rivais "estudarem e se atualizarem". Roma Júnior retrucou e chamou Rollo de "fiel escudeiro" de Fernando.
Fernando Silva foi outro que, quando teve a chance, aproveitou para atacar o candidato apoiado por Marcelo Teixeira. Ele apontou que Modesto pensa em colocar um CEO no Santos com salário mensal de R$ 100 mil e exigiu explicação do candidato em frente às câmeras. Roma Júnior negou veemente e definiu que jamais falou qualquer coisa sobre um salário tão astronômico, mas confirmou a intenção de criar o novo cargo.
Nabil também entrou em rota de colisão com José Carlos Peres e Fernando Silva. Primeiro, insinuou que o G-4 Paulista - grupo comandado pelo candidato da Santos Vivo - não ajuda os clubes e perguntou se Peres não ganhou comissão nas negociações das cotas de TV do Campeonato Paulista. Depois, relembrou o Grupo Guia, o passado de Silva na época da venda de Neymar e relembrou parceria quase feita com Modesto. O presidenciável da Mar Branco ironizou e perguntou ao mediador do debate qual dos temas ele deveria responder.
Com o tom mais pacificador entre os presidenciáveis, José Carlos Peres convocou Orlando Rollo e perguntou porque o Santos está tão divididido e o debate com tanta agressividade, já que todos os candidatos "são heróis" por se disponibilizarem a dirigir o Santos diante da atual situação econômica. Depois, avisou que pretende, se eleito, unir as cinco chapas. O presidenciável da Pense Novo retrucou dizendo que é a favor da ideia, mas não quer a participação da situação, que segundo ele "deve ser defenestrada do clube".
No mais, o evento foi tranquilo. Dez jornalistas de diferentes emissoras foram convidados a participar com perguntas nos terceiro e quarto blocos, mas o ponto ruim foi que as indagações deveriam ser feitas com temas pré-sorteados pelo mediador, o que tirou o "efeito-surpresa" que eventuais perguntas feitas pelos reporteres poderiam causar aos candidatos. O debate se encerrou com os cinco candidatos mandando um recado de dois minutos de duração aos torcedores. As eleições no Santos ocorrem neste sábado, dia 6 de dezembro.
VIA: Glorioso Santos F.C
ESPN